STRATOVARIUS - NEMESIS TUOR - CARIOCA CLUB SÃO PAULO 18/05/2013

sábado, junho 22, 2013
Os finlandeses do Stratovarius ( junção entre os nomes do modelo de guitarras Stratocaster e a marca de violinos Stradivarius ), desembarcaram mais uma vez em terras brasileiras, desta vez para realizarem a tour de divulgação de seu recém lançado álbum Nemesis ( em fevereiro deste ano pela Edel Music e produzido pelo novo guitarrista, o Matias Kupiainen ), o qual traz o baterista Rolf Pilve como o mais novo integrante desta que é uma das maiores bandas de Power Metal do mundo.

Tudo começou em 1984 na cidade de Helsinque, onde Tuomo Lassila ( bateria e vocal ), John Vihervã ( baixo ) e Staffan Strahlman ( guitarra ) formaram a banda Black Water, onde os caras tocavam covers de Black Sabbath e de outras bandas de Heavy Rock dos anos 70 ( o auge da criatividade ). Somente no ano seguinte eles passaram a se chamar Stratovarius e o antigo guitarrista deixa a banda dando lugar ao Timo Tolkki, que assume também o papel de vocalista e compositor, já que Tuomo Lassila estava tendo dificuldades em tocar bateria e cantar ao mesmo tempo. Timo Tolkki foi o grande responsável por moldar a sonoridade e o estilo do Stratovarius, trazendo influências de música clássica e Heavy Metal Melódico, que na época era novidade. Tais elementos se tornaram marca registrada da banda.


Nemesis é o décimo quarto trabalho de estúdio da banda e o sucessor de Elysiun, lançado em janeiro de 2011 e o último a contar com Jörg Michael ( ex-Running Wild na época ) na bateria e o primeiro álbum a ter Timo Kotipelto como principal compositor, após a saída de Timo Tolkki, que se despediu de forma não tão brilhante nos presenteando com o Stratovarius de 2005, colocando todo o seu legado à prova, acompanhado por um Timo Kotipelto também não tão inspirado no momento e deixando a desejar sem aqueles agudos aos quais estávamos acostumados a escutar nos álbuns anteriores aos quais participou ( também, com tudo que estava acontecendo parece que não havia um clima dos melhores para se entrar em estúdio e fazer um trabalho à altura de seus antecessores ). Infelizmente nesta época, após a primeira separação da banda, o guitarrista sofria de problemas mentais, ou, distúrbio bipolar, para ser mais preciso. Fator este que precedeu um hiato de quatro anos sem um lançamento oficial dos finlandeses.

O local escolhido para o grande show foi o Carioca Club, a já bastante conhecida casa de shows localizada no bairro de Pinheiros ( Rua Cardeal Arcoverde, 2899 ), na zona sul de São Paulo, e que já se tornou um lugar sagrado e parada obrigatória para bandas de Rock n' Roll e Heavy Metal das mais diversas vertentes. Próximo do horário do show às 18h30, eu reparei que a casa estava cheia, mas não estava totalmente lotada, ao contrário de como ocorreu em outros shows ali realizados.

Naquele momento, ninguém tinha motivos para reclamar, pois se tratava de um show exclusivamente do Stratovarius e sem banda de abertura. E também não se tratava de uma tour conjunta ( que passou por São Paulo e teve um show realizado no Credicard Hall, no dia 06 de maio de 2011 - confira matéria no site Rock On Stage ) como aconteceu em 2010 e 2011 onde os caras excursionaram com a banda que praticamente inventou o Power Metal, no caso os alemães do Helloween na turnê de seu décimo sétimo álbum, o 7 Sinners, onde o Stratovarius fazia a apresentação de abertura e promovia o álbum Elysiun, lançado em janeiro de 2011 em diversos formatos, passando pelo cd, edição de luxo em digipack, cd duplo, single e até em vinil, após os singles Darkest Hours e Infernal Maze serem lançados. 

Minutos antes do horário marcado, os integrantes da banda subiam ao palco um a um e o vocalista Timo Kotipelto aparecia por último, tendo como fundo um telão com a bela imagem de capa do cd Nemesis. O show começou pontualmente às 19 horas. Seria esse um retorno triunfal do Stratovarius às suas origens, pois musicalmente o álbum Nemesis está muito próximo dos lançamentos mais antigos.


Os caras iniciaram muito bem o show com Abandon, que é a faixa de abertura do álbum Nemesis, e a seguir eles fizeram uma volta aos anos 90 e atacaram com o clássico Speed Of Light ( do álbum Episode de 1996, que foi o segundo a ter o Timo Kotipelto nos vocais, gravado no Finnvox Studios na Finlândia, lançado pela Noise Records e produzido pelo Timo Tolkki ), que foi bem recebido pelo público, que cantou em uníssono do início ao fim. Uma belíssima orquestração seguida por bateria e teclados davam início a Halcyon Days ( quarta faixa do álbum novo ), que é caracterizada pelos diversos efeitos eletrônicos durante quase toda a faixa, assim como algumas outras do mesmo álbum.

O show seguia com a bela, cadenciada e instigante balada Eternity ( também do álbum Episode ), tornando aquele momento um dos mais emocionantes da noite. Um dos pontos altos do show foi durante a execução de Dragons ( oitava faixa do novo álbum ), cantada em coro pelos ali presentes, com o seu refrão simples e bastante assimilável, acompanhada por uma bela melodia e um também belo solo de guitarra de Matias Kupiainen, e a belíssima performance vocal de Timo Kotipelto, que continua tendo um agudo super afinado.

Após a execução de Dragons, os membros da banda deixavam o palco e após alguns instantes o batera Rolf Pilve retorna e apresenta um solo de bateria animal, onde o cara esbanjou toda a sua técnica, precisão, velocidade e carisma ( fazendo até algumas firulas com as baquetas ) durante cerca de 10 minutos, prendendo a atenção de todos! Com certeza, os fãs aprovaram essa mudança no line-up, pois a galera aplaudia à beça! É claro, que os mais saudosistas nunca vão esquecer do legado do veterano Jörg Michael, que foi uma peça fundamental na banda deixando toda a sua pegada registrada em tremendos clássicos.


As próximas do setlist vieram a ser a sinfônica Eagleheart ( do Elements Part 1 - 2003, lançado pela Nuclear Blast e teve praticamente todo o material composto pelo antigo guitarrista ), Fantasy ( mais uma do novo Nemesis ) e Destiny do cd que carrega o mesmo nome, e o qual alcançou o 1º lugar nas paradas musicais da Finlândia em 1998. Esta última, sendo o ápice do show com orquestrações e solos de guitarra excepcionais, além do encerramento, que fez todos os presentes se emocionarem e, só para você ter uma ideia, a galera que estava próxima de mim, disse o seguinte: "Pronto, depois dessa eles não precisam tocar mais nenhuma, já valeu o ingresso!". Realmente essa faixa não poderia ficar de fora do show. Não seria exagero nenhum se alguns estivessem com os olhos marejados e cheios de brilho neste momento!

 Em seguida os integrantes da banda repetiam o mesmo ritual do solo de bateria, mas quem retornara para executar um solo foi o baixista Lauri Porra. Ele disse que havia feito uma música e que iria tocá-la aos presentes. E então ele começa a tocar uma mistura de samba com choro ( ritmos brasileiros ), e no refrão ele diz: "Que Porra!!!" ( devido ao seu sobrenome ) e o mesmo segue tocando, e novamente na hora do refrão todo o público grita numa só voz: "Que Porra", seguindo assim por uns dez minutos. Esse foi o momento mais hilário e descontraído da noite. Todos riam e se divertiam a valer àquela altura do show.

Bom, já na metade do show, era hora da banda apresentar mais um super clássico, no caso The Kiss Of Judas ( do álbum Visions - 1997 ), que traz um solo de guitarra insano de autoria do ex-guitarrista Timo Tolkki, porém, executado com maestria pelo Matias Kupiainen, que integra a banda desde 2008 e estreou com o álbum Polaris de 2009, o décimo segundo trabalho de estúdio da banda. Sim, em maio daquele ano o guitarrista e membro fundador do Stratovarius deixava a banda para integrar o Revolution Renaissance.

O experiente Jens Johansson, que outrora tocara com o Dio e Yngwie Malmsteen, deu continuidade ao espetáculo executando um belo solo no teclado. Ele entrou para o Stratovarius na época do processo de produção de Fourth Dimension de 1995 somando quase 20 anos de banda em seu currículo. Outro grande clássico do Stratovarius, a faixa Black Diamond ( também do Visions de 97 ), que tem uma introdução de teclado bastante similar à música Eternity ( já citada ) e outro solo grandioso de guitarra/teclados, foi a escolhida para encerrar a primeira parte do show. Escolha mais do que certeira para a ocasião.

E para o primeiro bis da noite os finlandeses executaram a bela e melódica If The Story Is Over ( outra do Nemesis ), a veloz, cadenciada e marcante Will The Sun Rise? ( presente no Episode ) e a acelerada Paradise ( do Visions ).

Após outro pequeno intervalo, a banda fecha com chave de ouro o setlist com Unbreakable, que foi o primeiro single do álbum Nemesis e uma música que se tornou o hino do Stratovarius, que é Hunting High And Low ( gravada no Infinite de 2000 ). Ao término do show, que durou 1 hora e 45 minutos ( set curto ), a banda era ovacionada pelo público que, se emocionou e cantou em coro em boa parte da apresentação, já que o álbum mais recente foi lançado há pouco tempo ( boa parte do público ainda não conhecia bem as letras das músicas ), e também aproveitou a oportunidade de prestigiar esse super show, já que esse seria o único aqui no Brasil. Eles ainda passariam por Argentina, Chile, Colômbia, e Uruguai, completando então a Turnê Sul-Americana.

Por Fábio Xavier
Fotos: Ronaldo Xavenco
Agradecimentos a Heloisa Vidal (Brasil Music Press) e a Free Pass Entretenimento pelo credenciamento e atenção. 


Set List:

1. Abandon
2. Speed Of Light
3. Halcyon Days
4. Eternity
5. Dragons
6. Solo (Bateria)
7. Eagleheart
8. Fantasy
9. Destiny
10. Solo (Baixo)
11. The Kiss Of Judas
12. Solo (Teclado)
13. Black Diamond

Encore 1:
14. If The Story Is Over
15. Will The Sun Rise?
16. Paradise

Encore 2:
17. Unbreakable
18. Hunting High And Low

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